quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Dê um “gosto” às Festas de Igrejinha

festas2012 - facebook

As Festas em Honra de Nossa Senhora da Consolação estão no Facebook, com uma página oficial, onde passará tudo aquilo o que tem destaque na edição 2012 e também nas futuras…

Neste momento já ultrapassámos os 600 fãs, mas queremos mais, por isso dê-nos um “gosto” em www.facebook.com/festasigrejinha e adira também ao evento oficial em www.facebook.com/events/408963149171068/

festas2012 - facebookevento

Ligue-se a nós e saiba tudo o que se passa nas Festas e também no nosso site…

Monumento de Homenagem aos Combatentes

festas 2012 - monumento

Desde há uns anos a esta parte, o Centro Social Recreativo de Cultura e Recreio da nossa aldeia vem organizando, na Primavera, um almoço – convívio dos igrejinhenses, naturais ou residentes, que estiveram nas diferentes colónias portuguesas em missões militares.

O império português, herdado da nossa saga de marinheiros e descobridores motivada pelo comércio e pela expansão da fé cristã, estendia-se além – Europa, ainda na segunda metade do século XX, desde as ilhas atlânticas de Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe, passando pelos vastos territórios do continente africano de Guiné, Angola e Moçambique, até aos pequenos enclaves de Goa, Damão e Diu, no subcontinente indiano, a Macau, no sul da China, e a metade da ilha de Timor, no extremo oriente, a norte da Austrália.

Ainda no primeiro quartel do século XIX, em 1822, o Brasil, a nossa enorme colónia da América do Sul, havia proclamado a sua independência, na sequência da presença da corte portuguesa que ali se havia refugiado para não ter que capitular perante a força do invasor francês. Essa independência enquadrou-se, aliás, num vasto movimento independentista que se iniciara com os Estados Unidos da América do Norte (que se libertou do domínio inglês) a que se seguiu a dos domínios franceses e espanhóis na América. No caso do Brasil foram as elites brancas locais quem provocou a separação, com o herdeiro da coroa portuguesa, D. Pedro, à frente.

A segunda grande vaga de independências de territórios dependentes de países europeus deu-se já não no século XX, nalguns casos após guerras violentas; tiveram especial impacto mundial e repercussão entre nós as independências da União Indiana (do Reino Unido) e da Argélia (da França).

O regime ditatorial português, que governava desde o final dos anos vintes, recusou-se, até ao fim, a discutir o problema colonial, mesmo depois da anexação dos territórios indianos (1961) pela recém – independente União Indiana, mesmo depois de todas as outras potências europeias terem concedido a independência aos seus territórios. Em poucos anos, a Itália, a Inglaterra, a França, a Bélgica reconheceram a independência às suas inúmeras colónias africanas, o que tornava evidente a irreversibilidade desse movimento acelerado pelos “ventos da história”. Só em 1960 nasceram dezoito novos países em África; perante a irredutibilidade em negociar do governo de Salazar, no ano seguinte os movimentos de libertação de Angola pegaram em armas…

Depois de Angola, os confrontos abertos contra a nossa ocupação começaram na Guiné em 1963 e em Moçambique em 1964. Só depois da Revolução do 25 de Abril Portugal reconheceria o direito dos povos das colónias à independência.
Durante esses catorze anos cerca de um milhão de portugueses passou pelas diferentes frentes de guerra. Desses morreram quase nove mil e ficaram feridos cerca de trinta mil; milhares de ex – combatentes sofrem, ainda hoje, de stress pós – traumático de guerra.

Da nossa aldeia foi a bem mais de uma centena de homens que o pais pediu esse sacrifício de vários anos, nos anos de plena realização. Marcados para o bem a para o mal pelos sacrifícios, privações e perigos, eles constituem-se como uma geração bem definida da qual a aldeia se orgulha pelo exemplo que deram de cumprimento do dever a que a nação os chamou.

Por isso, não é de estranhar que tenha sido criada e mandatada uma comissão para conduzir os trabalhos com vista à edificação de um monumento de homenagem aos combatentes na nossa aldeia; a homenagem é, aliás, extensiva aos igrejinhenses que há quase um século se bateram em nome da pátria nas trincheiras da primeira grande guerra.

Para traduzir os sacrifícios e a honra do dever cumprido desses igrejinhenses pedimos ao escultor João Sotero, residente e com “atelier” no nosso concelho, que propusesse uma obra de arte pública a inaugurar em 2014, ano em que se perfaz um século desde o início da primeira grande guerra e quarenta anos desde fim da guerra colonial.

Para custear essa obra está aberta uma subscrição pública através da qual todos poderão associar-se a esta homenagem aos igrejinhenses que estiveram na guerra em defesa da pátria.

Nesta festa de 2012 estará exposto o modelo da peça escultórica, a realizar em aço e a instalar num arruamento da aldeia, com o acordo e o apoio da nossa Junta de Freguesia e da Câmara Municipal de Arraiolos.

(Texto de Manuel J. Branco, publicado na revista dedicada às Festas 2012)

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Festas 2012 - Missa Solene e Procissão (Domingo, 10 horas e 30 minutos)

festas2012 - procissão

Este é o momento alto das Festas da Igrejinha, a Missa Solene,  seguida da Procissão em Honra de Nossa Senhora da Consolação, que por volta do meio-dia percorrerá as ruas da aldeia seguida por muitos fieis e acompanhada também, na edição deste ano, da Banda Sociedade Filarmónica Redondense.

Uma particularidade desta procissão é que não sai apenas a imagem da padroeira da freguesia, mas também todas as outras imagens e pendões pertencentes à Igreja Paroquial da Igrejinha.

Um momento a seguir, até porque é em Honra da Nossa Padroeira que as festividades se celebram e esta é a sua celebração maior.

A Igreja Paroquial de Igrejinha ou Igreja de Nossa Senhora da Consolação

igreja 1910 topo

A ‘Festa Rija’ desenvolve-se desde o seu início em volta da Igreja de Nossa Senhora da Consolação, uma vez que são dedicadas a comemorar esta Virgem. Mas qual é a história por trás desta Igrejinha, que deu nome à nossa Freguesia. Aqui fica tudo o que precisa saber sobre a nossa igreja, acompanhada de fotografias, uma delas de 1910, rara fotografia que ainda mostra os originais campanário e o cruzeiro.

Estávamos no ano de 1528, quando o templo de devoção a Maria Consoladora foi terminado, obra feita por ordem de Luís Mendes de Oliveira e sua esposa Isabel Jorge, fundadores da Igrejinha. Desconhecem-se as razões pelas quais foi consagrado a Nossa Senhora da Consolação, ou Maria Consoladora, mas é certo que é uma das Igrejas Portuguesas dedicadas a esta devoção mariana mais antigas de todo o território nacional.

A administração do templo manteve-se privada na mão de fidalgos nobres ao longo dos séculos, passando pela família Morgado de Brito e terminando, em meados do Século XIX com Francisco de Brito Casto e Solis, altura em que passou para as mãos da Diocese, como muitas outras igrejas.

A fachada axial da Igreja de Nossa Senhora da Consolação encontra-se virada a sudeste, estando o antigo passal com ossário, o anteriormente chamado pelos populares de cardal, no espaço posterior. A fachada lateral ocidental é a única que se encontra totalmente desimpedida, sendo também a mais pitoresca, conservando os contrafortes de alvenaria rematados com pináculos em forma de urnas. A fachada lateral oposta encontra-se tapada com habitações, onde viviam os párocos.

Uma das curiosidades desta igreja é que inclui uma curiosa Via Sacra exterior, de azulejaria colorida, com atributos do Calvário, datada do Século XVII, altura em que também foi alterada a sacristia, com portada metida em arco falso composto na cimalha por tabela engrinaldada, esculpida, de arte recaille, que inicialmente terá sido uma janela, facto que se pôde comprovar até meados do Século passado através das fendas deixadas pelas desaparecidas grades das ombreiras.

A frontaria tem um alpendre de arco redondo, de pedra, coro com frontão triangular ladeado de fogaréus cilíndricos e campanário central arredondado construído em 1941, muito diferente do original destruído durante as fortes intempéries ocorridas em Fevereiro desse mesmo ano, de linhas retas, rematadas no topo com duas urnas laterais e pináculo centro.

igreja 1910Fotografia de 1910, em que se pode ver o campanário original

Toda a obra é de linha setecentista da época Joanina e de estilo corrente no Alentejo durante os reinados de D. João V e D. José, de que é prova principal o portal de granito e do tipo de verga abatida, emoldurado e de ângulos saídos, de corda.

No adro da Igreja, frente ao arco central encontra-se o cruzeiro de mármore branco, com as clássicas inicial do Século XVII, firme em quatro degraus de granito. Infelizmente este cruzeiro também já não é o original, uma vez que esse caiu em 2009, tendo sido feito um novo com as mesmas características.

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Fotografia de 2010, em que se pode ver o campanário do Século XX e o novo cruzeiro, colocado nesse mesmo ano

O interior tem planta retangular com nave coberta por abóbada de meio canhão cornada de caixões encerrando tabelas em forma de espelhos cilíndricos ou ovoidos, envolvidos de variada composição floral estrelizada, cantonada de vieiras. Pinturas a fresco, de estilo Barroco de artistas desconhecidos, está integrada, pela concepção e risco, na época final do reinado de D. Pedro II.

Os alçados estão forrados até à sanca de azulejos policromáticos tipo tapete, com dois estilos diferentes: maçaroca de milho no friso inferior e tabelas octogonais entrançadas e divididas, ambos os estilos do Século XVII.

A capela batismal é de planta quadrada e de paredes brancas, tendo o teto cupular de meia laranja, apoiada em trompas de conchas populistas, iluminada por lanterna discoíse. Arco redondo, revestido a cerâmica do mesmo tipo que a nave. A pia batismal é marmórea, cilíndrica, sem esculturas, sobre paelha anelada.

Na parede lateral esquerda, sob o coro, subsiste uma lápide de mármore, em caraterísticas góticas, original desde a construção da igreja, com as seguintes inscrições:

ESTA CASA DE NOSA SNRA DA CÕSOLAÇAM MÃNDOU FAZER LUIZ MENDEZ DOLIVEIRA E ISABEL JORGE SUA MOLHER E LHE DEIXARAM HUA QUINTA ONDE ESTA DITA CASA PERA SEPRE LHE DIRAM HUA MISA CADA SABADO POR AS ALMAS DE QUE LHA LEIXOU EASI POLLAS SUAS PER DIA DE NOSA SRA LHE DIRAM HUA MISA CANTADA É CADA HU ANO PA SEPRE E SE PAGARAM AS DITAS MISAS A CUSTA DE RENDA DA DITA QITA E O MAIS-Q SOBEJAR SERA O MINISTRADOR A Q FICARA AMANISTRAÇÃ A QUAL MINISTRAÇÃ LHE FICARA P FALECIMENTO DE NOS AMBOS E NO COPROMISSO Q TEMOS AMBOS FEITO FICARA P FALECIMENTO DE NOS AMBOS E NO QUAL MANISTRADO SERA OBRIGADO A SEPRE TER DITA CASA COREJIDA E REPARADA DE TODO O QUE LHE FOR NECESARIO E NÃ NO CÕPRIDO EU ASI PIDJAMOS AO PROVEDOR DOS RESIDOS EASI A TODALLAS PESOAS A QUE PERTECER Q NOMEN E PONHAM OUTRO MANISTRADOR Q HO HI FACA E CUPRA O Q DITE HE F.TO NO ANO DE 1528 ANOS

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O púlpito é de base arredondada e recoberto de painéis de talha dourada, com aplicações envieiradas, estilo rococó em voga no Século XVIII.

As duas capelas laterais são profundas e de secção quadrangular e situam-se junto do arco triunfal do altar.

A capela do lado do Evangelho é dedicado às almas e tem cobertura de artesões boleados, de alvenaria ao estilo da origem do templo, no reinado de D. João III,  composta por pinturas parietais, ornamentadas depois, em 1724, por ordem do lavrador Manuel Rodrigues. Estão representadas: Adão e Eva no Paraíso, a Santíssima Trindade e As Almas do Purgatório.

O altar é totalmente preenchido por um retábulo composto por colunata de ordem coríntia e estamblamento clássico moldurando vistoso quadro a óleo que representa S. Miguel e as Almas, com características do final do Século XVII. Na linha da banqueta existe um núcleo devocional de santos, todos a meio corpo, estilo maneirista, criados, segundo se supõe, por artesãos eborenses anónimos: São João, São Mateus, São Paulo, São Lázaro, Santa Marta, São Pedro, São Lucas e São Marcos.

Na mesa do altar venera-se o Senhor Morto, escultura típica do barroco filipino.

A capela contrária é dedicada a Nossa Senhora do Rosário, sendo fechada por grades de madeira dourada e pintura e de balaústres torneados com elementos decorativos da Eucaristia e a Santa partícula de opulento resplendor, servindo originalmente de altar ao Santo Sacramento. Este trabalho pode incluir-se no trabalho de Joaquim do Carmo e José Gomes, obra originalmente executada no Século XIX na Igreja Conventual de São Francisco de Arraiolos, hoje Igreja Matriz.

O interior desta capela é de características quinhentistas, com teto ogivado, de toros arredondados, cobertos de frescos barrocos, que representam O Casamento da Virgem, A Circuncisão, A Virgem com o Rosário e São Domingos e Santa Catarina de Sena. Arco com símbolos místicos e safenas, enquadrado na época de D. João V, embora tenha também caraterísticas rococó, principalmente na decoração com azulejos e no retábulo interior lavrado a talha dourada.

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O altar central é amplo e está pintado com efeito mármore azulado e avermelhando, tendo características iluministas neoclássicas, principalmente pela balaustrada guarnecida de albarradas e pequenos detalhes de talha dourada.

No nicho central, inicialmente estava Nossa Senhora da Consolação, padroeira do templo, agora substituída por um crucifixo, alteração feita no final do Século passado, tendo a imagem da virgem passado para a lateral direita, com o Menino Jesus aos pés. Destacam-se ainda as opulentas coroas de prata branca que rematam ambas as imagens.

Nas edículas laterais podem ser vistas duas esculturas barrocas, de feição seiscentista: São José com o Menino e Santo António. Ambas as imagens são de madeira dourada e estofada.

No altar principal pode encontrar-se ainda o trono do pároco, da época de D. Maria I, com abóbada de barrete e decorado com vieiras, lambrequins, florões e cartelas, símbolos de São Pedro e São Paulo.

Destaca-se o fato de, no chão da capela principal, estarem sepultados os fundadores do templo Luís Mendes de Oliveira e Isabel Jorge, com o epitáfio:

AQUI JAZ LUIZ MENDES DE OLIVEIRA E A SUA MULHER QUE FOI SEPULTADA NA CAPELA DE NOSSA SENHORA.

Esta inscrição não é visível, uma vez que desde o final do Século XIX que se encontra debaixo do soalho ali instalado na altura.

Na abobadilha pode ver-se um escudo de armas esquartelado e de interpretação considerada por muitos historiadores como confusa, uma vez que contém as insígnias dos Limas, Mexias, Severim e Van Zeller.

Fonte: Inventário Artístico do Distrito de Évora, Túlio Espanca, 1975

Festas 2012 - Espetáculo de Pirotécnica (Sábado, 01 hora)

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O Espetáculo de Pirotecnia tornou-se num dos principais atrativos da noite de Sábado nas Festas em Honra de Nossa Senhora da Consolação, sendo considerado por muitos como o melhor espetáculo deste tipo da região e este ano a Comissão de Festas voltou a apostar nesta iniciativa, contratando a empresa A R Martins, Lda. do Bombarral, para o realizar.

A Pirotecnia do Bombarral, de A. R. Martins, Lda., trabalha em pirotecnia há três gerações, desde 1934. Descendentes da família Martins da Moita do Norte – Barquinha, uma das mais prestigiadas famílias de pirotécnicos nacionais.

Com honestidade, dedicação e profissionalismo, ao longo dos últimos 70 anos a empresa desenvolveu-se significativamente, liderando as transformações no sector da pirotecnia, criando novos métodos de fabrico, inovando nos produtos produzidos, introduzindo novos equipamentos, melhorando a segurança das instalações. Tornando-se uma referência na pirotecnia nacional.

A não perder…

Festas 2012 - Banda Renovação 4 (Sábado, 22 horas)

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Na noite grande das Festas em Honra de Nossa Senhora da Consolação deste ano, depois das décimas, o baile fica a cargo da Banda Renovação 4, a grande revelação do ano 2012.

Este conjunto já existe há largos anos, já é conhecido de todos os igrejinhenses e não só, mas apresenta desde o passado Verão de três bailarina, que animam ainda mais as suas atuações.

Os vocalistas Pedro e Vera, a teclista Eva, o guitarrista Agostinho e as bailarinas Ana, Ângela e Sandra estão prontos para um grande espetáculo.

E vamos todos dançar “a dança das gatinhas”…

domingo, 26 de agosto de 2012

Festas 2012 - Décimas em Honra de Nossa Senhora da Consolação (Sábado, 21 horas)

festas2012 - decimas

Desde tempos perdidos, que já nem os mais velhos recordam o início, que as Décimas à Nossa Senhora da Consolação fazem parte das celebrações anuais da freguesia, poemas tradicionais, cheios da sabedoria de popular, que todos os anos são ditos como forma de pedido, agradecimento, aviso, crítica, ou aquilo que o “decimeiro” desejar, declamados no adro da Igreja Paroquial de Igrejinha, frente ao pendão onde está representada a Senhora, que apenas tem uma regra, cada décima terminar com a frase “Senhora da Consolação”.

No passado eram ditos em cima de um banco, hoje num pequeno pódio construído para o efeito, tal não é a importância do momento. Fogo de morteiros e a banda a tocar compõem o ramalhete.

É um dos momento mais altos da Festa Rija da Igrejinha, que junta uma autêntica multidão, muitos vindos propositadamente só para ouvir as já tão famosa e únicas “Décimas da Igrejinha”.

Este ano não será exceção, Sábado, às 21 horas, os poetas populares voltam a subir ao palanque e a despejar à Senhora da Consolação lamúrias, felicidades, tristezas, alegrias, sentimentos puros que tornam estes poemas tradicionais tão singulares. De destacar ainda, que na edição deste ano, será a Banda Filarmónica Redondense a musicar o evento.

sábado, 25 de agosto de 2012

A História da Devoção a Nossa Senhora da Consolação

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Todos sabemos desde que nascemos que a Nossa Senhora da Consolação é a padroeira da nossa Freguesia de Igrejinha, mas poucos sabem realmente a origem da devoção Mariana Consoladora. Assim, aqui fica a história, para todos aqueles que se interessarem por saber estas origens…

A devoção a Nossa Senhora da Consolação remota ao início do cristianismo, ao tempo dos Apóstolos. Após a morte e ressurreição de Jesus, eles viam Maria como a Verdadeira Mãe e Mestra, consumada na ação do Espírito Santo, o consolador prometido. Maria é a própria consoladora do espírito, a fortaleza que reconforta os sofredores, o porto seguro dos aflitos.

A antiga tradição narra que Santa Mónica (331-387 – Argélia), nas suas aflições, recorria a Nossa Senhora, primeiro nos momentos de sofrimento e desilusão provocadas pelo marido, depois com a vida desregrada do filho Agostinho (que mais tarde veio a ser Santo Agostinho), de temperamento difícil e que nada queria ter a ver com religião. Santa Mónica seguiu Maria como sua intensa devota, inclusivamente na forma de vestir depois da morte de São José e, principalmente, principalmente após a Ressurreição de Jesus.

Reza a História que esta devoção de Santa Mónica tenha levado Nossa Senhora a aparecer-lhe vestida com o traje solicitado: coberta por uma ampla túnica de tecido rústico, de corte simples e cor muito escura. Uma roupa despojada e penitencial, tendo apenas na cintura uma grosseira correia ou cinta de couro que descia quase até o chão, que soltou e colocou à Santa, recomendando-lhe o uso diário, indicando-lhe ainda que a transmitisse a todos aqueles que necessitassem da sua proteção.

Santa Mónica viu o seu filho converter-se e tornar-se um homem santo e bondoso, tendo sido também um dos primeiros a cinta e a entregar à proteção de Nossa Senhora da Consolação, como o fez com a comunidade religiosa que logo fundou. O poder da cinta terá sido tão intenso, que Agostinho acabou por se tornar num dos Santos mais importantes do catolicismo.

Com base neste milagre, as ordens agostinianas passaram a usar a cinta como seu distintivo e Nossa Senhora da Consolação passou a ser representada com uma cinta escura entre as mãos, entregando-a a Santa Mónica e Santo Agostinho e a ser chamada em algumas localidades como Nossa Senhora da Correia ou Nossa Senhora da Cinta.

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Mais tarde, já na segunda metade do Século V, em Turim, Itália, a devoção para com Nossa Senhora da Consolação foi fortalecida, baseada na história anterior e num quadro da Virgem trazido da Palestina por Santo Eusébio, Bispo de Vercelli, doado pelo próprio a São Máximo, Bispo de Turim.

São Máximo, por volta de ano 440, colocou o quadro à veneração dos fiéis de Turim, num pequeno altar erguido no interior da igreja do Apóstolo Santo André. O povo começou a venerar a efígie daquele quadro com grande fé e devoção, e Maria terá começado a distribuir muitas graças, inclusive graças milagrosas, sobretudo em favor das pessoas doentes e sofredoras. Sensibilizados com o amor misericordioso da Virgem Maria, o Bispo e o povo começaram então a invocá-la com os títulos de “Madonna Consolata”, “Mãe das Consolações”, “Consoladora dos Aflitos” e o quadro permaneceu exposto à veneração dos fiéis sem sofrer nenhum transtorno, durante quatro séculos consecutivos.

Por volta do ano 820 a cidade de Turim foi assolada pelo movimento da funesta heresia dos iconoclastas, pessoas que, considerando imagens de adoração contra a lei de Cristo, destruíam toda e qualquer figura ou quadro religioso expostos ao culto. Temendo que a pintura fosse também destruída, os religiosos da Igreja de Santo André retiraram-na do seu altar e esconderam-na nos subterrâneos da igreja, esperando que passasse a onda reformista dos iconoclastas, mas este prolongou-se por muitos anos e o esconderijo caiu no esquecimento, tal como a devoção a Nossa Senhora da Consolação.

Em 1014, Nossa Senhora apareceu a Arduíno, Marquês de Ivréia, gravemente enfermo, e pediu-lhe que construísse três capelas em sua honra: uma em Belmonte, outra em Crea e a terceira em Turim, esta última junto às ruínas da antiga Igreja de Santo André, cuja torre ainda permanecia de pé. O Marquês Arduíno, ao ser milagrosamente curado por Nossa Senhora, cumpriu o solicitado pela Virgem e mandou construir as três capelas.

Quando começaram as escavações para os alicerces da capela de Turim, os trabalhadores encontraram o quadro de Nossa Senhora da Consolação, ainda intacto, apesar de ser uma pintura em tela, o que encheu de alegria e fé a população da cidade e a devoção à Mãe das Consolações renasceu e parecia não mais estar ameaçada, mas poucos anos depois, rebentaram as numerosas guerras e epidemias que assolaram a região, o que fez com que muitos habitantes de Turim abandonassem a cidade e a capela de Nossa Senhora da Consolação acabou por se tornar num monte de escombros, ficando o quadro novamente mergulhado nas ruínas e nos esquecimento durante cerca de 80 anos.

Em 1104 volta a haver intervanção divina e um cego de Briançon, em França, chamado João Ravache, teve uma visão de Nossa Senhora que lhe disse devolver-lhe a visão se fosse a Turim visitar a sua capela que jazia em ruínas. Ultrapassando enormes dificuldades, o cego chegou a Turim, sendo acolhido pelo Bispo da cidade, Mainardo, que, acreditando na sua história, mandou fazer escavações no local mencionado por Nossa Senhora.

No dia 20 de Julho de 1104, o quadro de Nossa Senhora da Consolação foi reencontrado sob as ruínas, novamente intato. O cego, conduzido à presença do quadro pelo Bispo de Turim, recuperou instantaneamente a vista e o povo que assistiu ao milagre rompeu em brados de alegria. O Bispo Mainardo, comovido, ergueu repetidas vezes esta invocação a Nossa Senhora: “Rogai por nós, Virgem Consoladora!” E o povo respondeu: “Intercedei pelo vosso povo!” Este episódio  consolidou na alma do povo de Turim a devoção a Nossa Senhora Consolação.

Esta fé espalhou-se por toda a Itália rapidamente e conta-se que em 1385, quando o fidalgo romano Jordanico de Alberino, ficou preso nos cárceres do alto do Monte Campidolio, pouco antes de ser enforcado, colocou no seu testamento que daria dois florins de ouro para a pintura da imagem de Nossa Senhora da Consolação num local público, pedido cumprido a ordem do seu filho Tiago num do Clivo Jugário, por baixo do Monte Campidolio.

No Século seguinte, no dia 26 de junho de 1470, um condenado à morte saiu vivo do enforcamento porque pediu a proteção à Virgem, invocando aquela imagem mencionada. O entusiasmo do povo fez os Confrades de Santa Maria das Graças reunirem os recursos necessários à de uma igrejinha para veneração daquela milagrosa imagem de Nossa Senhora da Consolação.

No Século XVI, a pequena igreja passou a fazer parte de um hospital religioso, foi ampliada, a imagem de Nossa Senhora da Consolação foi coroada e o Papa Gregório XIII aprovou a invocação a Nossa Senhora da Consolação em 1577, sendo-lhe atribuído como dia o primeiro domingo depois do Dia de Santo Agostinho (28 de Agosto).

Esta devoção foi-se espalhando rapidamente por toda a Europa e pelo Novo Mundo. Vicente Pinzón, navegador espanhol, companheiro de Colombo nas suas viagens ao Novo Continente, descobriu um promontório, que acreditava ser o cabo de Santo Agostinho, ou a ponta de Mucuripe, em Fortaleza, no Brasil, ao qual deu o nome de Santa Maria de la Consolación.

Esta devoção também não tardou a chegar a Portugal onde existem igrejas consagrados a Nossa Senhora da Consolação em vários locais, como Alcobaça, Arrentela, Elvas, Feteira, Fundão, Guimarães, Peniche, Porto de Mós, Sesimbra ou Tavira.

igreja-paroquial-de-alvados-igreja-p[1] Consolacao-peniche_thumb5 Igreja_de_Nossa_Senhora_da_Consolao_ igreja-matriz-de-pero-viseu-igreja-d[1] Igreja_de_Nossa_Senhora_da_Consolao_[3]

A construção da Igreja Paroquial de Igrejinha remonta ao Século XVI, sendo um dos templos portugueses consagrados a Nossa Senhora da Consolação mais antigos de todo o país. Não se conhecem as razões pelas quais foi escolhida por Luís Mendes de Oliveira, fidalgo que mandou erguer a igreja, a consagração a esta Virgem.

Para além da Freguesia de Igrejinha, Nossa Senhora da Consolação é também padroeira de Turim e Monaviel (Itália), Belo Horizonte e São Paulo (Brasil) e do Estado Independente do Grão Ducado do Luxemburgo.

Fontes: www.wikipedia.org, www.cancaonova.com, www.fatima.com.br, www.prestservi.com.br, www.portalsaofrancisco.com.br, http://www.catolicismo.com.br, www.google.com